(06 de Julho de 2005 - Era uma vez... O Mundo!)
As luzes se apagam, os músculos relaxam e pronto, os fantasmas estão livres. Vêm de todos os lugares, não dão trégua mas sustos, muitos, todos... sempre foi assim. Cresceu e, com seus pézinhos número vinte e oito, não corre mais para a cama dos pais. Desafia seus monstros e medos com um baita sorriso.
A noite não é nada tranquila, se debate, revolve os cobertores floridos e pequenos, que derretem o seu corpinho miúdo e assustado; pode-se dizer até divertida, gosta dos sustos, das vozes e da sensação de falta de estômago. Acordava suada e sufocando uma gargalhada, aprendeu a gostar dos pesadelos de tão constantes, sobretudo porque nestes sonhos escolhe de tudo, até mesmo que cenários farão parte de sua longa jornada noturna.
O Meio
(18 de Julho de 2005 - Era uma vez... O Mundo!)
O anoitecer tornou-se o acontecimento mais fascinante de seus longos dias, experimenta prazer de sentir o sono chegando... nunca forçou nem antecipou a hora de ir dormir, espera pacientemente o incontornável fechar de olhos, irresistível e por si só, delicioso de tão demorado. Sempre a mesma coisa, todas as noites, o sono vinha e a embalava onde quer que estivesse, alguém a levava para a cama, acarinhando por um breve momento o seu corpo... poderia mesmo até se sentir amada mas rapidamente o frio na espinha e o bater da porta a levavam volta ao seu tão esperado momento.
O Pesadelo... e fim
(18 de Julho de 2005 - Era uma vez... O Mundo!)
Descartou a ponte. Contornou a imensa poça. Colheu flores. Perdeu o estômago. Caiu do penhasco. De pé. Criou asas nos calcanhares. Ele está atrás dela. O cheiro é ruim. Jogou fora os óculos. Andou até as ruas do centro. Escuras. Tinha uma espada. Tentou aprender a usar as asas dos pés. Caiu. Perdeu mais uma vez o estômago. Deixou sua marca em uma das calçadas. Pequena. As ruas eram sujas. Estava com medo. Tinha uma bolsa cheia de morangos poderosos. Ele está atrás dela. Sua respiração é forte. Estava com sede. Chovia bastante. O céu não estava azul. Era verde escuro. Tinha uma boneca de palha falante. Sem um olho. Ele estava atrás dela, seu cheiro era ruim e deslizava pelo chão. O coraçãozinho dela estava disparado, a boneca de palha falava e as asas dos pés não funcionavam. Ele estava atrás dela com sua enorme boca. Ela corria e quis se esconder da chuva e dele e da boneca falante. O guarda-chuva era canibal. Roxo. Ouviu as risadas vindas do fundo da poça. Deixou que sua espada caísse. Ele estava atras dela. Não parou para pegar a espada. Queria seus óculos de volta, precisava ver o caminho que não era o da ponte e fugir da boneca que virou uma fera de três cabeças e um pescoço. Conseguiu bater as asas dos pés e voou para a ponte em chamas. Tinha um balanço. Era um portal. Dentro um picadeiro de circo. Viu elefantes voadores. A boneca. Gritou as palavras mágicas e atirou os morangos poderosos na boneca que agora era uma fera de três cabeças e um pescoço. Explodiu a fera em milhões de confetes. Ele ainda estava atras dela. Parou de correr, voar, respirar. Era sonho. Usou os morangos. Tudo ficou rosa com pintas verde-limão. Era hora de ir para a escola. Ouviu uma voz chamando por seu nome, sabia que era hora de ir para a escola. Seu mundo já estava colorido. Ele estava atras dela. Talvez quisesse brincar. Era hora de ir para escola. Ele queria brincar. Estava cada vez mais colorido. Estava tão bonito seu mundo colorido. Gostava dele. Não foi a escola. Talvez não o encontrasse mais. Não quer nunca mais ir a escola. Gosta de seu mundo colorido.
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