segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nunca foi o 13 de maio

Difícil saber desde quando a liberdade é conquistada diariamente. No calçar um sapato, no desrespeitar uma regra imposta, no corte de cabelo que se mantém, que muda, que se impõe... na cocada da esquina, no poder da quitandeira, no turbante de Rainha.
Benguelas, Cabindas, Minas, centenas de etnias vindas, inventadas, forjadas num trajeto sempre dolorido. Pessoas com irmandades as vezes forçadas, laços construídos quase sempre pela dor, e pela cura e pelo amor. Laços construídos quase sempre na reconstrução dos lares, das famílias, dos irmãos, das línguas, dos credos. Laços apertados, atados, refeitos sempre num abraço, no reflexo, no sorriso do outro. 
Difícil saber desde quando a liberdade é conquistada diariamente. Na resistência. No levantar de cabeças. No continuar caminhando. Nossas caras são parecidas e pouco importa se mais ou menos pretas. De fora, ninguém nota. A diferença que fazemos aqui dentro não é nossa. E quem me dera isso fosse só metáfora. 
E comemorar essa liberdade tem que ser todos os dias. 
E conquistar essa liberdade tem que ser todos os dias. 
E se orgulhar dessa liberdade tem que ser todos os dias. 
E agradecer essa liberdade tem que ser todos os dias. 
Agradecer a você mesmo que tem coragem de sair com sua cara preta na rua. Agradecer aos seus, que são colo, carinho e casa pra você. Ao seu irmão que não é visto mas continua gritando. Agradecer aos seus ancestrais que saíram sempre com as suas caras pretas nas ruas. Esperando e revidando tapas; Esperando e retribuindo carinhos; Esperando reflexos. Sendo reflexos.   

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