sábado, 11 de agosto de 2012

Da invisibilidade ou como ser expectador da própria vida.

Dificilmente eu teria percebido a invisibilidade na qual estamos metidos se fosse eu pisciana ou leonina. Pessoas de outros signos até se dão conta, mas os escorpianos tem uma queda por drama - e nada mais dramático do que pensar em si como um coitadinho-invisível-social.

As memórias mais marcantes são trazidas ao meu consciente como se eu sempre fosse expectadora: a sensação constante de que tudo me era alheio; nada me parecia importante e ao mesmo tempo tudo urgia!!!!! O tédio e a impressão de não entender o que estava sendo dito pelas pessoas me faziam ter certeza de que eu estava no universo errado.

Lembro especificamente das aulas de catecismo. Foram dois anos frequentando as aulas, e eu sequer aprendi a achar os versículos... Eu mal sabia quais atividades era pra fazer em casa. A missa sempre acompanhei com muito sacrifício. Eu era esperta o suficiente pra conseguir fingir que sabia o que estava acontecendo, mas a verdade é que eu realmente não ligava... E assim foi no jazz, na capoeira, no curso disso e daquilo... E não sei muito bem se as pessoas ligavam pra o fato de eu estar sempre alheia a tudo.

Acho que existe um acordo tácito entre as pessoas... Todo mundo finge que interage, que entende, que liga... E vê a vida acontecer com velocidade, fascínio, indiferença às vezes, ideias boas pra fazer parte de tudo e com preguiça... Muita preguiça!!!!!! Pelo menos é o que parece.


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