quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Sobre torpedos.

De antemão aviso: é necessário que você tenha um conhecimento prévio das minhas insanidades mais intrínsecas e internas, que saiba como processo informações e as guardo da forma que julgo ser a mais fiel quanto a do momento que as recebi. Se você tiver esse conhecimento sobre mim, conseguirá entender a profundidade do que quero dizer. Não digo no entanto que a forma como as guardo seja a mais justa, mas é como minha compreensão dos fatos permite que eles sejam apreendidos. (Mas antes de declarar o que quero, explico que só pontuei o título com um intuito: enviar uma mensagem velada a um amor, para que ele entenda a quantas anda este assunto em meu coração.)

Parece que estou construindo muitos rodeios e explicações sem questionamento, mas a razões nem sempre são alardeadas! Sou uma apaixonada... Acho que psicopatamente até e poucas vezes o sentimento de traição foi tão avassalador quanto quando vi um torpedo que não era pra mim. Senti inveja de céu azul, da memória, do calor, de tudo o que continha naquela linha e que tinha um destinatário que me era desconhecido. Era um mundo inteiro que tinha perdido. Uma vida inteira.

Uma linha. Uma pergunta somente. Sou capaz de lembrar quantas letras - pouquíssimas - acabaram com
meu sonho inteiro. Um torpedo. Mas como disse, pontuar o título tem uma função!

sábado, 11 de agosto de 2012

Da invisibilidade ou como ser expectador da própria vida.

Dificilmente eu teria percebido a invisibilidade na qual estamos metidos se fosse eu pisciana ou leonina. Pessoas de outros signos até se dão conta, mas os escorpianos tem uma queda por drama - e nada mais dramático do que pensar em si como um coitadinho-invisível-social.

As memórias mais marcantes são trazidas ao meu consciente como se eu sempre fosse expectadora: a sensação constante de que tudo me era alheio; nada me parecia importante e ao mesmo tempo tudo urgia!!!!! O tédio e a impressão de não entender o que estava sendo dito pelas pessoas me faziam ter certeza de que eu estava no universo errado.

Lembro especificamente das aulas de catecismo. Foram dois anos frequentando as aulas, e eu sequer aprendi a achar os versículos... Eu mal sabia quais atividades era pra fazer em casa. A missa sempre acompanhei com muito sacrifício. Eu era esperta o suficiente pra conseguir fingir que sabia o que estava acontecendo, mas a verdade é que eu realmente não ligava... E assim foi no jazz, na capoeira, no curso disso e daquilo... E não sei muito bem se as pessoas ligavam pra o fato de eu estar sempre alheia a tudo.

Acho que existe um acordo tácito entre as pessoas... Todo mundo finge que interage, que entende, que liga... E vê a vida acontecer com velocidade, fascínio, indiferença às vezes, ideias boas pra fazer parte de tudo e com preguiça... Muita preguiça!!!!!! Pelo menos é o que parece.