quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da felicidade

Ela sabia que podia ser tudo, mas decidiu ser feliz.
Escolheu seus pares, só os inteiros, sem amassados ou manchinhas expostas na casca. Os quebrados, com lascas mesmo superficiais e manchas difíceis de sair ela descartou. 
Alvejou-se inteira, fez os retoques mais minuciosos, afinal de contas, ela é coerente: tudo teria que estar nos conformes. Pro seu mundo sem lascas e com cascas brilhante levou itens que julgou da mais última necessidade:

Água
Espelhos
Detergentes
Auto-estima
Amor
Brisa
Dias ensolarados (com suas respectivas noites estreladas)
Pares

Mas ela esqueceu de proibir vontades, olhares, falares, presentes e passados.
[...]
...
[...]
E pretendia ser feliz.

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