quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Cabaninha

O quarto do Matias é um espaço bem gostosinho. Colorido, sem móveis pesados, e com a decoração feita por mim e pelo pai dele... construímos cada pedacinho: A luminária, o macaco da luminária, as cortinas e a cabaninha.


Ah! Tem as marionetes!!!! Ele não larga delas...Antes de dormir, ele oferece água a cada uma. Ele as quer na cabaninha... e adora três da quatro!


Apresentando do Leão pro palhaço: Hegberto, Josefine, Adriana (é dessa que ele não gosta! Tem medo, seilá) e Ângelo. Os nomes de cada um, bem, deixo claro que é o nome que escolhe a marionete! Mas quero mesmo é falar da cabaninha. Neste caso específico, eu sozinha construi a tal cabaninha para o Matias. Usei uma mesa antiga de escritório, tecido, EVA colorido e minha máquina de costuras. Não foi demorado, na verdade foi mais rápido do que imaginei que seria, mas o trabalhão veio depois.
O Matias não quer mais sair de dentro da cabaninha(!!!!): o calor etá de matar... mesmo quando estamos no banho(!), dentro do quarto, debaixo de uma mesa e sem ventilador! Não pensei que ele fosse gostar tanto!!!!!!!! Vez ou outra ele nos pega pela mão e nos arrasta pra cabaninha dele... e se não vamos, é pranto... lágrima... grito e desespero pra mim!!!!!!!!!!!!!!!
É lindo ver o quanto ele já tem vontades, personalidade, memórias acumuladas... quase não consigo acreditas que ele era - e é ainda - tão pequenininho! Mas confesso que não aguento mais a cabaninha. 

Mas diz aí: ficou uma lindeza, né?


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Matias...

Esses olhinhos...
Esses olhinhos...




Da felicidade

Ela sabia que podia ser tudo, mas decidiu ser feliz.
Escolheu seus pares, só os inteiros, sem amassados ou manchinhas expostas na casca. Os quebrados, com lascas mesmo superficiais e manchas difíceis de sair ela descartou. 
Alvejou-se inteira, fez os retoques mais minuciosos, afinal de contas, ela é coerente: tudo teria que estar nos conformes. Pro seu mundo sem lascas e com cascas brilhante levou itens que julgou da mais última necessidade:

Água
Espelhos
Detergentes
Auto-estima
Amor
Brisa
Dias ensolarados (com suas respectivas noites estreladas)
Pares

Mas ela esqueceu de proibir vontades, olhares, falares, presentes e passados.
[...]
...
[...]
E pretendia ser feliz.

domingo, 14 de outubro de 2012

dos complexos

Mesmo quando penso nas sutilezas das palavras, acredito ser possível identificar as particularidades das pessoas a partir do que é dito. Não há edição na fala que encubra totalmente uma personalidade. Não há disfarce capaz de maquiar o interesse. Não há fingir que nos transforme.

Chega a ser cansativo pensar na quantidade de possibilidades por detrás de um discurso. E mais, pensar no nosso discurso... moldar-nos conscientemente a partir dele seria estafante! Até atuamos, mas nossas palavras não são mentirosas, a despeito de por muitas vezes estarem forjando uma mentira. Nós somos o que dizemos (mentiras forjadas, felicidades contidas, frustrações dissimuladas). Ainda bem que a consciência plena sobre nós mesmos não é uma realidade. Inventamos, sonhamos, fantasiamos. E é justamente neste intrincado meio que deixamos ver, principalmente a quem tem olhos atentos, nossas fragilidades, culpas, medos, qualidades, nós. O(s) nosso(s) discurso(s) converte(m) o nosso eu mais interno em vitrine.

A condição ideal, me parece, seria conseguir manipular o discurso e dar a ver somente o que pensamos que somos, o que desejamos ser e criamos. Ser o que discurso, acho que é o que eu queria: felicidade sem tristeza; qualidade sem defeito; amor sem ódio; bondade exclusiva; coerência absoluta; complexos desfeitos.


Soneto da Fidelidade - Vinícius de Moraes


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure